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14 de setembro 

 

Grito dos Excluídos discute Segurança Pública e Educação em Nilópolis.

FGB participa de duas rodas de conversa  

Dando sequência a cobertura que envolveu a participação do Fórum Grita Baixada na 23ª edição do Grito dos Excluídos, nessa segunda parte entrevistamos o coordenador do coletivo RUA, um dos organizadores da manifestação popular em Nilópolis.

 

O que é o RUA?  

O RUA é um coletivo de juventudes que tem atuação em todos os estados do país.

Surgimos após as jornadas de junho de 2013 por identificar que os modelos de organização política (partidos ou coletivos) não mais atendiam as demandas dessa nova geração; não acompanhavam o surgimento de novos atores sociais e novas formas de expressão política. E pouco conseguiam dialogar com um sentimento de descrença com o sistema político do país, tendo pouca capacidade de incidir sobre o discurso político de negação da política.

 

Porque ser anticapitalista é lutar contra a exclusão social?

Entendemos que o sistema capitalista é um sistema produtor de grandes desigualdades no mundo, e desta desigualdade sobrevive.  Uma pequena elite concentra grande parte das riquezas e de privilégios. Para nós essa desigualdade econômica se combina a formas de opressão identitárias (LGBTs, negros e mulheres) criando assim os setores mais vulneráveis dessa sociedade.

O mundo com que sonhamos é um mundo que sejamos livres; sem exploração e opressão.

 

Você pertence a um coletivo que possui a fatia da população, no caso a juventude, que, talvez, seja a mais massacrada, se considerarmos todos os efeitos danosos da exclusão social que se somam a períodos de crise econômica. Na sua opinião, como se reverte tais efeitos dessa exclusão para a juventude, considerando a dimensão histórica dessa condição?

  

Antes de tudo nós caracterizamos o RUA como um coletivo de juventudes (ou juventude ampla). Todo coletivo de esquerda que se pretende a construir um trabalho popular e periférico não pode homogeneizar o segmento de jovens. Organizar um jovem universitário de classe média é bem diferente de organizar um jovem negro de Caxias e Nilópolis. Entre os jovens que aqui se organizam (Nilópolis), muitos compõem o que chamamos de juventude "nem-nem", aqueles que não estudam e não trabalham. Esse grupo de jovens cresce exponencialmente, sobretudo no estado do Rio de Janeiro com a queda brutal dos postos de trabalhos formais e o alto índice de desemprego. Na periferia esse quadro se acirra; a ausência de perspectiva futura se soma à linha do tiro. Reverter esse cenário de vulnerabilidade das juventudes, nos tem exigido a atuação permanente em duas trincheiras.  De um lado, a gente entende que só a luta muda a vida; é em movimento que esses jovens tomam consciência de sua condição social, compreendem a estrutura dessa sociedade e se empenham em transformá-la. Nossa luta e mobilização no movimento secundarista, organizando grêmios e entidades estudantis, o trabalho de movimento popular a partir de nosso pré-vestibular popular +Nós, a cultura popular em praça pública etc. Por outro, há a trincheira da institucionalidade que se combina ao processo de mobilização de rua; a exigência da implementação de políticas públicas por parte dos governos voltadas para a juventude no âmbito da cultura e da educação.

 

 

Rodas de conversa sobre Segurança Pública e Educação

 

Durante a semana do Grito dos Excluídos, o Fórum Grita Baixada participou em duas ocasiões. O primeiro foi em um debate sobre Segurança Pública no Galpão 252, tradicional ponto de manifestação cultural da juventude no centro de Nilópolis. Representando o FGB estavam o coordenador da instituição, Adriano de Araújo e o professor da UFRRJ, José Cláudio Souza Alves. Araújo descreveu brevemente a atuação do FGB na Baixada, com destaques para a criação da Frente pela Valorização da Vida (FIVV), iniciativa que será encaminhada às prefeituras da Baixada Fluminense, de forma que os respectivos gestores locais sejam responsáveis por planejamentos estratégicos que visem a diminuição de homicídios. Leia matéria. Forneceu também alguns dados alarmantes sobre o número de chacinas que acontecem em várias cidades da região e o quanto as suas insolubilidades perante a justiça são completamente menosprezadas pela mídia hegemônica. Souza Alves, analisando as dinâmicas de violência na Baixada desde o final da década de 1970, disse que tanto o tráfico quanto a milícia não funcionam sem a participação do Estado em suas ramificações. “É um Estado articulado pelo crime”, afirmou.

 

Na semana seguinte, (12/09) o articulador do FGB, Douglas Almeida foi convidado pelo Sindicato dos Profissionais da Educação (SEPE) de Nilópolis para um debate sobre Educação na Comunidade Santa Rita de Cássia. Junto a ele estavam os professores Luis Cláudio Moraes de Carvalho  e Pedro Mara, além de Laura Tissi, do Pré-vestibular “+ Nós”. Carvalho forneceu um retrospecto  sobre a construção de políticas públicas voltadas a educação desde a década de 80 e em especial em Nilópolis, destacando o processo de desaparecimento das escolas públicas da região “que antes eram 18 e agora não passam de 5” . Sobre o + Nós, Laura afirmou que o conceito do vestibular comunitário está conectado aos alicerces das Escolas de Formação em Educação Popular. O local possui cerca de 60 alunos e ali são ministradas aulas de Feminismo, Filosofia e Sociologia, além de cursos sobre como os alunos podem se proteger de ataques de homofobia.

 

O articulador do FGB Douglas Almeida, problematizou como o ensino, tanto nas escolas do ensino médio como nas do público, são processos educacionais que servem apenas como indicadores de qualificação para o mercado de trabalho. Além disso, ele explicou que, na busca por melhores ofertas de trabalho, a população que têm acesso a uma educação mais competitiva é a que vai se afastar da Baixada, optando pelos bairros da Zona Sul ou Norte do município do Rio, numa migração que vai aprofundar o abismo social existente e construir gerações estagnadas economicamente em função de empregos que proporcionam menor poder aquisitivo.

 

Por último, cedeu a palavra o professor de Sociologia, Pedro Mara que, dentre outras informações, destacou as arbitrariedades contidas em três resoluções emitidas pela Secretaria Estadual de Educação. Dentre elas, as que cerceavam as garantias de professoras que, ao engravidarem e após o encerramento do período da licença maternidade, não teriam garantias de retornarem aos seus horários de origem, o que causariam dificuldades em conciliar o expediente profissional com o materno.

    

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O coordenador do coletivo RUA, Pablo Ribeiro

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Roda de conversa sobre educação na Comunidade Santa Rita de Cássia